Reflexões

Os desafios estruturais da evolução do segmento de saúde no Brasil

O mercado de saúde tem pela frente grandes desafios estruturais, e o pano de fundo destes desafios reside na mudança da composição da pirâmide etária da população brasileira e a sua perspectiva de envelhecimento. Temas com causa e efeito que se misturam, como o prolongamento da vida de pacientes e a mudança de perfil de doenças que antes eram fatais para doenças crônicas, estão gerando novas necessidades a serem supridas pelo sistema de saúde.

Ao mesmo tempo em que evoluções tecnológicas nas áreas de prevenção (diagnóstico) e tratamento (farmacêutica) surgem como substitutas para procedimentos médicos, a rede pública de saúde com sua proposição de abrangência universal não tem habilmente acolhido a demanda resultante desses fatos.

Em decorrência, constatamos que tem sido repassado ao setor privado o ônus de atender aos procedimentos, medicamentos, através dos órgãos reguladores que passam a exigir o incremento nas obrigatoriedades de coberturas dos planos de saúde. A consequência imediata é o considerável impacto no custo operacional e a redução da rentabilidade dos serviços prestados. Na outra ponta, os órgãos reguladores também limitam o reajuste dos valores cobrados dos usuários, impossibilitando a recuperação da rentabilidade. Resta então, atuar sobre as lacunas de gestão envolvidas nos processos que há tempos são discutidas pelo setor, mas ainda são endereçadas parcialmente, com bom espaço ainda para evolução. Dado o modelo em que este mercado está comercialmente estruturado, que pressupõe grande interação entre os players, as lacunas de gestão em cada um dos segmentos se sobrepõem gerando um efeito “bola de neve” que acaba por aumentar a complexidade e reflexos em todos os envolvidos no processo.

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Ilustração: mapa em alto nível do modelo comercial do mercado de saúde

Podemos destacar como alguns dos principais desafios no setor:

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Além desses desafios específicos de cada player do setor, há também alguns como o processo de glosas (divergências no processo que geram impactos no fluxo de caixa e rotinas financeiras), que permeiam toda a cadeia de valor do segmento. Para vencer esses desafios, é possível elencar dois grandes grupos de ações, desde ações mais direcionadas ao dia-a-dia, que podemos identificar como de revisão do modelo operacional até soluções mais estratégicas e de longo prazo, que demandam tecnologia e integração com outros players do mercado que, por consequência, geram iniciativas de médio-longo prazo. Dentre o grupo de iniciativas referentes à revisão do “Modelo Operacional”, podemos citar para:

Planos e Convênios de Saúde:

• Análise do modelo financeiro, focadas na sinistralidade e custos de procedimentos e benefícios, e que consideram análises estatísticas sobre utilização de serviços como reembolsos, orientando ações como iniciativas de segmentação – remuneração diferenciada (a credenciados) de acordo com volumes de utilização, fidelidade de paciente, etc., incentivando o aumento da rede credenciada e reduzindo custos operacionais.

Hospitais e Laboratórios:

• Revisão nos processos de atendimento, em busca de maior integração entre as etapas (desde o pré-atendimento até a coleta e processamento/diagnóstico), reduzindo o tempo do paciente nas unidades aguardando procedimentos ou diagnósticos.
• Revisão dos processos operacionais conjuntamente com a área técnica em busca de maior eficiência na utilização de insumos durante a realização de procedimentos.
Evoluindo para um grupo de ações focadas no “Médio-longo Prazo”, nos deparamos com a necessidade de novas tecnologias e/ou metodologias de trabalho baseadas em uma forte integração entre os players para a geração de um benefício maior para toda a cadeia:
• Prontuário eletrônico: consolidação de informações em base única com acesso os envolvidos na cadeia (equipe médica) durante consultas, atendimentos (urgência ou não) e para a composição de laudos e análises consolidadas (existência de histórico do médico).
• Padronização de processos médicos para investigações e diagnósticos, integrando Planos e Convênios aos Hospitais e Laboratórios, com a definição de procedimentos elaborados conjuntamente entre as áreas médicas das entidades que orientem realização de exames de acordo com hipóteses identificadas pelo médico, como por exemplo, execução faseada de exames, evoluindo conforme padrão respostas obtidas nos exames iniciais. Estes protocolos acabam por gerar benefício financeiro para o Plano de Saúde e melhorar a assertividade do diagnóstico e um detalhamento mais completo para a investigação dos profissionais de saúde, com benefícios claros ao cliente, que terá uma resposta mais rápida e acelerando o eventual início do tratamento.

Portanto, sem o entendimento do ponto mais crítico de gestão e performance da instituição, considerando seu posicionamento na cadeia e o nível de interdependência com os demais players, corre-se o risco de investir em soluções e estratégias que se destacam como novidades no mercado, mas dado o contexto da instituição não trarão os benefícios esperados podendo, inclusive, podendo incorrer em maiores custos. Sendo assim, é importante identificar quais as oportunidades existem na organização, para direcionar a abordagem necessária:

• Para o grupo “Modelo Operacional” o ideal é abordar a revisão dos processos internos de maneira estruturada e evolutiva nas diversas áreas de suporte (Suprimentos, Atendimento, Financeiro, etc.) iniciando por análises de Redução de Custos/Melhoria de Performance até a revisão de Modelo Organizacional (ex.: implantação de CSC).
• Pensando no grupo de “Médio-Longo Prazo”, seu foco será mais estratégico, o qual exigirá uma análise aprofundada de números e histórico do negócio que permitam analisar o Custo Benefício das oportunidades, direcionando os esforços futuros de investimento.

Em suma, tal qual os demais mercados brasileiros em períodos recentes, a área de saúde também apresenta crescimentos constantes e se torna cada vez mais competitiva, seja do ponto de vista de maior número de players ou de preços mais atrativos.

Agilidade no processo operacional e racionalização de custos tornam-se as referências a serem perseguidas nas estratégias de participação mercadológica e consolidação empresarial.
Nós da Cosin Consulting, possuímos uma larga experiência no tratamento e execução desses grupos de soluções, e caso tenha interesse em entender de que forma esses temas podem ser aplicados à realidade de sua empresa ou ainda avaliar em mais detalhes resultados de trabalhos realizados por nós, entre em contato conosco.