Reflexões

Logística de Importação: Processo ou Projeto?

São indiscutíveis as vantagens da importação de produtos – mesmo com a recente alta do dólar – provenientes de países como China, Índia, Bangladesh e Indonésia, para composição da diversidade do varejo nacional.

É certo que a importação atende a dois objetivos fundamentais do varejo: – oferecimento de um mix diferenciado a um consumidor, que está cada vez mais ávido por novidades e preços; – e uma possibilidade de aumento da margem bruta da categoria em relação a uma operação 100% nacional.

No entanto, no nosso ponto de vista, um processo de importação pode trazer grandes riscos aos resultados orçados em um varejista, especialmente aquele que trabalha com necessidade de coordenação como o varejo de moda.
Então, como fazer a gestão da importação de modo que essa gere e não subtraia valor dentro do Supply Chain de um varejista?

O primeiro ponto que é necessário entender: a importação para esse varejo é um processo ou um projeto? O que isso quer dizer?

Para um varejo de fluxo contínuo como um supermercado ou hipermercado que precisa compor sua variedade continuamente com itens de alimentos secos e bazar, por exemplo, a importação é um processo.
Ou seja, a importação acontece o ano todo com base em um processo de strategic sourcing que se renova anualmente. Uma característica adicional é que são produtos industrializados e comoditizados – “make to stock”. Não existe desenvolvimento específico.

Já para um varejo de moda, a importação é um projeto, pois cada coleção concebida tende a produzir um resultado único em um determinado prazo. É a essência da definição do que é um projeto do PMBOK. Ou seja, tem que ser tratado como um projeto desde a análise de tendência até a venda dos produtos de moda nas lojas.
Por isso, são necessárias as ferramentas típicas de um projeto como cronograma com atividades, responsáveis e prazos; e uma figura análoga a de um PMO, para fazer a gestão das frentes que compõe um projeto, como escopo, prazo, recursos financeiros, humanos, suprimentos etc.

Nós da Cosin, recentemente ajudamos um grande varejista de moda a estruturar sua importação com base no conceito de projeto. No fim, de maneira quase paradoxal, foi um projeto para organizar um processo:
- estruturar as datas;
- garantir o alinhamento entre áreas;
- definir prazos e responsabilidades;
- considerar as diversas particularidades de origem / tipo de produto;
- dar a visibilidade dos processos em andamento;
- e estruturar a rotina de geração de indicadores, análise e tomada de ações (cancela/ adianta/ adia/ etc).
Desta forma, foi criado um cronograma gerencial para as reuniões de acompanhamento e um detalhado para gestão da rotina. Também foi estruturado um gráfico “waterfall” para controle dos diferentes status desde a produção até a chegada do produto no Brasil. Tudo isso com um “war room” em paralelo para garantir o desempenho do “projeto” vigente. Exemplos desses produtos estão a seguir:

logistica importacao

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Como resultado, a empresa conseguiu ter um controle muito melhor das etapas de importação, permitindo uma melhoria sensível no atendimento do seu planejamento comercial. E isso, tem claramente reflexo nas lojas onde, por exemplo, uma calça jeans estilizada nacional precisa combinar, em um determinado momento, com uma blusa de malha importada desenhada para a estação de inverno e que é muito mais valorizada quando exposta junto à calça.
Finalmente, devido ao trabalho desenvolvido e acompanhando pela Cosin, essa abordagem permitiu um aumento de vendas “same store sales” com incremento de margem em bases comparáveis ano a ano.
Concluindo: estamos certos de que a importação é uma atividade que, cada vez mais, ganha importância no varejo nacional, seja ele de produtos industrializados, seja de vestuário e moda.
O grau de valor que essa atividade pode trazer passa em reconhecer inicialmente qual a natureza dela dentro do seu Supply Chain e gerenciá-la apropriadamente.
Em tempos de crise, uma parte importante das vendas e margem pode estar escondida dentro da sua importação. E substituir a importação não é o caminho que os varejistas têm adotado.

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