Reflexões

O que podemos esperar da Libra, a criptomoeda do Facebook?

*Publicado pela ComputerWorld em 6/8/2019

 

Anunciada em junho, moeda da rede social faz parte de uma carteira digital própria chamada Calibra, que será lançada em 2020

O tema criptomoedas inaugura mais uma polêmica: o projeto Libra. Recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, em seu Twitter, atacam o bitcoin e a Libra, uma nova moeda virtual anunciada há pouco pelo Facebook. O comentário de Trump aconteceu dias antes das audiências ocorridas este mês diante do Comitê Bancário do Senado e da Câmara norte-americana que discutiram aspectos legais do projeto. Para se ter uma ideia do ânimo acirrado das discussões, um projeto de lei foi apresentado após as declarações de Trump sob o título “Keep Big Tech out of Finance”. Certamente, esse ainda será assunto que ficará um bom tempo em evidência.

Mas, afinal, o que é este projeto? O que tem a ver com o bitcoin? Ou com o dólar americano? Quais os possíveis motivos que levam o governo dos Estados Unidos a atacar as criptomoedas?

No site oficial da organização www.libra.org, é possível encontrar um vídeo introdutório que deixa explícito o objetivo do projeto em criar um novo sistema monetário global, desenhado para a era digital e que seja simples e rápido, sendo utilizado como meio de pagamento e transferência de valores entre pessoas do mundo todo, empoderado pelo uso da tecnologia blockchain, que conferirá ao sistema segurança e acessibilidade.

É importante ressaltar outros dois fatores desse projeto: o primeiro, a intenção de lastrear a Libra (nome dado a criptomoeda resultante do projeto de mesmo nome) a uma reserva de ativos estruturada para que haja a preservação do capital e liquidez. De uma forma direta, estamos falando de um fundo de títulos públicos emitidos por governos estáveis que tenham um grande volume diário de negócios, com o objetivo único de prover baixíssima volatilidade para o sistema monetário Libra, garantindo assim que o valor de hoje seja o mesmo em uma semana, propriedade fundamental para a utilização como meio de pagamento.

O segundo fator relevante é o modelo de organização, baseado na associação de diversas empresas e agentes privados de todo o mundo, ou seja, apesar do Facebook estar na liderança do projeto, por intermédio da subsidiária Calibra, criada para esse fim, está muito bem acompanhado, tendo como associados gigantes que atuam em mercados como: meios de pagamento (Mastercard, Visa e PayPal); tecnologia e telecomunicações (Vodafone, eBay, Spotfy, Uber), e ainda empresas de capital de risco, organizações internacionais e sem fins lucrativos e por fim instituições acadêmicas.

Cabe destacar que o Facebook, apesar de estar liderando o projeto, terá os mesmos privilégios e obrigações que os demais membros fundadores, durante a operação do sistema. A atual rede já tem um peso bastante importante, porém é previsto que esse grupo aumente ainda mais, chegando a cerca de 100 organizações até o lançamento da plataforma, previsto para o primeiro semestre de 2020.

Muitos fatores operacionais desse novo sistema de moeda digital ainda não foram esclarecidos, principalmente pelo fato de ainda estar em desenvolvimento. No entanto, a partir do documento técnico disponível no portal, conseguimos desenhar o funcionamento básico da rede.

A melhor forma de entender como esse sistema funcionará é nomeando os agentes integrantes dessa complexa operação e o papel que cada um exerce:

Associação Libra, formada pelos membros fundadores

Esse agente exerce um importante papel no desenvolvimento de todo ecossistema, englobando a criação de toda tecnologia, a interlocução com as autoridades, tais como órgãos reguladores e governos, o desenho do modelo de negócio/operação e o aporte de capital, tanto para o investimento no projeto quanto para a formação inicial do fundo, que será o lastro para emissão das primeiras moedas.

Durante a operação do sistema, a associação terá a função de emitir as moedas, validar as transações, gerir o fundo lastro e garantir a governança de todo o sistema. Com o amadurecimento da rede, é previsto uma redução da influência/dependência entre o sistema e esse agente, por meio de mudanças no desenho da rede, principalmente no que tange o permissionamento.

Outros dois agentes fundamentais para que a transação ocorra são:

Pagadores e os recebedores que vão interagir a partir de uma transação

Caberá ao pagador a obtenção da libra por meio da compra por moeda fiduciária, da troca por outra criptomoeda ou ainda pelo recebimento a partir de uma outra transação, além da posse de uma carteira virtual, software responsável pelo armazenamento das moedas e realização do pagamento e recebimento.

Prestadores de serviços - Exchange

· As Exchange autorizadas serão responsáveis pela distribuição das moedas e direcionamento do capital para a associação Libra aplicar no fundo lastro.

· Também serão responsáveis pela liquidação, atuando como marketplace entre quem quer comprar e quem quer vender a Libra e em última estância entre quem quer vender e a associação Libra como compradora.

Prestadores de serviços - Carteira

Um segundo prestador de serviço é o fornecedor da carteira, que inicialmente será papel da Calibra, pertencente ao Facebook, permitindo transações a partir do Whatsapp e do Messenger, prometendo transações rápidas e com custos bastantes reduzidos.

Entendido o funcionamento do ecossistema do projeto Libra, podemos analisar as principais diferenças entre a moeda Libra e o bitcoin, ou ainda qualquer outra criptomoeda existente.

Dois principais fatores tornam a Libra um sistema único no universo das criptomoedas:

1. As criptomoedas atuais ainda são de uso bastante restrito para meio de pagamento, seja pela complexidade, falta de confiança, volatilidade ou restrições técnicas de escalabilidades. O fato é que nenhuma criptomoeda tem um volume de usuários significativo frente a meios de pagamentos mais maduros. A Libra aposta no lastro para reduzir a volatilidade e no desenho da arquitetura tecnológica para solucionar problemas de escalabilidade.

Alguns poderão dizer que existem outras criptomoedas que teoricamente são lastreadas, como, por exemplo, a Tether e soluções como a lightning network do bitcoin que buscam aumentar a escalabilidade da rede. Portanto, se faz necessária uma análise um pouco mais profunda.

O lastro da Libra se difere pela ausência de paridade com qualquer moeda fiduciária, uma vez que é feita a partir de uma reserva de ativos emitidos por governos, com ênfase para o “s”, como dito anteriormente. E isso faz toda diferença, a diversificação do fundo é fundamental para reduzir a influência de um ou outro grupo econômico, dando flexibilidade para a associação gerir o fundo de forma a garantir a manutenção do capital e estabilidade mesmo frente a crises, tornando assim a Libra, teoricamente, a moeda mais estável do mundo e reduzindo o poder de influência de qualquer governo no sistema, o que é fundamental para que seja uma moeda no âmbito global.

Em relação a escalabilidade acredito que o principal fator está ligado a confiança no sistema e não a tecnologia. A adoção em massa da Libra é mais do que esperada, afinal esse sistema nasce de uma organização que já possui 2,2 bilhões de pessoas interagindo por meio de suas plataformas, sem contar as dezenas de milhões de estabelecimentos espalhados por mais de 200 países das redes Visa e Master e os 180 milhões de compradores ativos do eBay. É um belo começo rumo a uma estrondosa adesão.

2. O segundo fator de diferenciação é que projetos atuais buscaram interromper o sistema existente e/ou contornar os regulamentos, isso adiciona uma maior complexidade para a adoção das criptomoedas, com inúmeros casos de discussões e atritos no âmbito legal relacionado a criptomoedas. Segundo artigo técnico, a libra busca inovar nas frentes de conformidade e regulamentação para melhorar a eficácia do combate à lavagem de dinheiro trabalhando em colaboração com os órgãos reguladores e especialistas.

Outros aspectos diferenciam essa plataforma das demais criptomoedas, como o estabelecimento de um padrão global de identidade, necessário para que o sistema funcione dentro dos termos de regulamentação existentes de lavagem de dinheiro e a entrega de um nova plataforma de desenvolvimento de aplicações, ou smart contracts, o que permite que as possibilidades de aplicação dessa tecnologia sejam infinitas.

Caso os planos da associação Libra se concretizem, o impacto será gigantesco, começando pela quebra da hegemonia do padrão US dólar como moeda global. Não acredito em uma substituição, mas sim em uma nova opção o que já é suficiente para irritar um governo.

A Libra não é a primeira e nem será a última iniciativa relacionada a criptomoeda a ser discutida no âmbito governamental, porém se destaca pelo poder e influência de seus membros fundadores. A simples discussão do tema contribui para o amadurecimento do sistema junto as autoridades impulsionando todo o ecossistema das criptomoedas. Por mais libertária que seja a ideia original da criptomoeda, a regulamentação dos criptoativos é fundamental para a adoção da tecnologia.

Impossível mensurar o impacto no mercado bancário mundial, porém podemos comparar com o impacto causado pelas empresas de tecnologia ao iniciarem a atuação em mercados tradicionais como transporte, varejo, comunicação, imprensa e mídia. A consequência imediata será a queda drástica nos preços praticados pelo setor, acompanhado por uma explosão de novos serviços.

A médio prazo, veremos uma enorme sinergia entre serviços financeiros e demais serviços consumidos pelas pessoas durante sua jornada cotidiana. Essa evolução se dará pela melhor utilização dos dados financeiros gerados pelas transações, as possibilidades são inimagináveis.

Pelos pontos acima, acredito que o principal desafio para a implantação do sistema Libra é de cunho político, ao mesmo tempo tenho a convicção de que a simples discussão do assunto junto a governos e autoridades será o principal benefício desse projeto, abrindo cada vez mais as portas para a implantação da tecnologia no que tange o sistema monetário.

* Pedro Birindelli é gerente sênior em transformação digital e especialista em blockchain da Cosin Consulting

LGPD e Assessment: abordagem favorece preparação integral para novas regras

*Publicado em 13/6/2019 no Proxxima

 

O primeiro passo é identificar claramente quais dados de pessoas físicas a empresa armazena, ou tem contato. A natureza deles também é algo a ser estudado, pois quanto mais sensível a informação, maior o potencial de dano e nível de segurança exigido

Em pouco mais de um ano, a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrará em vigor no Brasil com efeitos imediatos nos bolsos de quem não estiver em conformidade. As conversas, de forma geral, bem como os preparativos, porém, ainda estão muito superficiais, não identificando os reflexos profundos e difusos que a nova legislação trará para as empresas.

Setores como financeiro e, em níveis de prontidão, mesmo o de varejo, caminham bem, mas áreas como a da saúde, por exemplo, ainda engatinham. Imagine que você vá fazer um simples exame e daí o médico da clínica pede para que você encaminhe os resultados para um e-mail genérico como “atendimento@”. Quantas pessoas não terão acesso ao mesmo? Onde e de que forma esses dados serão armazenados e usados?

A situação descrita acima deixa claro que uma análise simples de “conforme / não conforme” não é suficiente ou pelo menos não resolve todas as implicações envolvidas. Para ir mais a fundo, é preciso reconhecer que o atendimento integral à nova Lei tem um caráter multidisciplinar que abrange estratégias de negócios, processos, tecnologias, políticas de relacionamento e atendimento ao consumidor, práticas de RH, postura dos colaboradores e até questões de cultura corporativa.

Com este cenário, uma opção consistente de preparação é, à semelhança da área de Administração e Contábil, realizar um Assessment LGPD na empresa para compreender suas práticas atuais de proteção de dados, o que a nova legislação está requerendo e qual é este “gap” entre as duas dimensões. Nesta análise, focamos em três aspectos principais: negócios, jurídico e TI, levando-se em consideração não somente a própria LGPD, como também os códigos internacionalmente reconhecidos para a segurança da informação e o gerenciamento de riscos.

Neste trabalho, o primeiro passo é identificar claramente quais dados de pessoas físicas a empresa armazena, ou tem contato. A natureza deles também é algo a ser estudado, pois quanto mais sensível a informação, maior o potencial de dano e nível de segurança exigido. Passamos então à análise do lugar ou maneira como estes dados são armazenados, ou seja, em sistemas, e-mails, planilhas, contratos, notas, recibos etc.

Chegamos então a uma das principais novidades da LGPD, a avaliação ou mesmo desenho dos procedimentos de obtenção de consentimento das pessoas para utilização de dados. Aqui, a situação começa a complicar mais, pois não basta ter o procedimento para permitir a utilização, a lei exige que a empresa possa rastrear posteriormente como os dados das pessoas são utilizados, quem os utiliza, para qual propósito e por quanto tempo. Logo, algo complexo que demanda tanto sistemas de TI, como processos, treinamento de equipe e até a criação de métodos de auditoria.

Há também uma situação inteiramente nova que precisa ser endereçada: procedimentos efetivos para garantir o direito de remoção dos dados pessoais quando assim solicitado. Em um olhar superficial, pode parecer algo simples. Mas não é! Imagine o desafio de remover um dado de empresas de porte nacional, com vários canais de venda, bancos de dados, integração com fornecedores e subsidiárias de um mesmo grupo. Sem contar os itens mais práticos: quem vai receber este pedido? De que forma? Qual é o prazo de exclusão? Como o cliente ‘proprietário’ é avisado? Ou seja, é toda uma nova atividade dentro da empresa que precisa ser desenvolvida.

A empresa precisa se preparar  para um eventual vazamento de informações. Além das multas, a Lei prevê que este fato deve ser comunicado publicamente. Logo, as empresas devem ter bem claro: quem cuida das informações, como são monitorados vazamentos, quem compõe o time de crise para tomar as decisões de forma rápida, dentre outros. Em paralelo a tudo isso, as empresas devem reavaliar contratos, tanto com fornecedores quanto para o time interno, engajar a equipe e comunicar adequadamente as mudanças aos públicos envolvidos, definindo quais pontos devem ser tratados, por quem e em qual prazo.

Todas essas questões demandam tempo, não somente para as adequações, mas para que as partes envolvidas concordem acerca das mudanças necessárias. Essa é a principal razão para que se estabeleça um senso de urgência para as ações rumo à LGPD. Quanto mais tempo a empresa demorar para começar, menos tempo terá para ajustar o que for preciso e ter confiança nessa curva de aprendizado, necessária e inevitável.

As sanções administrativas e multas são pesadas e passam a valer a partir de agosto de 2020. Dependendo da maturidade da empresa e do ramo de atuação, as mudanças e a transformação podem ser gigantescas. A LGPD pode enterrar estratégias/ações de captação de clientes para venda de produtos e serviços e até mesmo inviabilizar negócios inteiros. Por isso, recomendo que este assunto esteja o quanto antes na pauta principal das lideranças e não perca seu senso de urgência.

(*) Antonio Cipriano é vice-presidente da Cosin Consulting

China: a nova fronteira do varejo. As vendas chinesas devem atingir US$ 5,636 trilhões este ano, um aumento de 7,5%

*Publicado em 20/5/2019 no Meio&Mensagem

 

As vendas chinesas devem atingir US$ 5,636 trilhões este ano, um aumento de 7,5%, contra os US$ 5,529 trilhões dos Estados Unidos, que avançaria 3,3%

O varejo na China tem ultrapassado barreiras e atraído a atenção do mundo todo. A combinação de sua enorme população com sua forte economia é responsável pelo crescimento de um mercado consumidor gigantesco. Com uma classe média de 400 milhões de pessoas, a China é um mercado obrigatório para aqueles que estudam o avanço do varejo em vários países. Segundo pesquisa do eMarketer, o país vai superar os Estados Unidos no comércio a varejo em 2019. Estudos apontam que as vendas chinesas devem atingir US$ 5,636 trilhões, um aumento de 7,5% em um ano, contra os US$ 5,529 trilhões dos Estados Unidos, que avançaria 3,3%.

Certamente, esses dados explicam parte do fenômeno de vendas no “Dia do Solteiro”, quando somente o Alibaba – gigante do varejo online chinês – vendeu US$ 30,8 bilhões neste único dia em 2018 – cinco vezes mais que todo o varejo americano na Black Friday e mais do que todo o varejo online brasileiro durante o ano de 2018.

Em viagem à Ásia no final de 2018, foi possível entender um pouco do varejo chinês e o que os especialistas vêm chamando de “New Retail”. Um exemplo é a Luckin-Coffee, empresa fundada em Beijing, em 2017, e que hoje conta com mais de duas mil unidades na China. Sem atendimento ao público na maioria das suas lojas, somente delivery e pick-up (comprar online e escolher onde pegar os produtos), as transações da Luckin-Coffee são feitas por meio de celular. Hoje, seu valuation ultrapassa US$ 2 bilhões, com plano de expansão que deve ultrapassar a Starbucks até o final deste ano em número de lojas – mais de 4,5 mil.

Outra operação que impressiona é a do Hema, rede de supermercados pertencente ao Alibaba. No Hema, todos os caixas são self-checkouts, com pagamentos via reconhecimento facial. Na loja de Hangzhou, havia mais funcionários do que clientes fazendo compras em cada uma das seções. Eles faziam o picking para atender os pedidos online, com entrega em menos de 30 minutos para os clientes em um raio de três quilômetros da loja. O supermercado conta com um sistema de esteiras aéreas que agiliza o processo, envia os produtos para a área de expedição, onde os entregadores carregam as suas motos elétricas, e saem para as entregas. O Hema possui cerca de 50 lojas, com plano de expansão de mais de duas mil unidades até 2022.

Na China, tudo é muito dinâmico. O negócio é tão acelerado que é possível ver saltos enormes em termos de tecnologia. Os chineses passaram do uso do dinheiro vivo para o pagamento via mobile. No comércio eletrônico, eles foram direto para o “mobile commerce”, sem praticamente ter passado pelo e-commerce.

Entender o tripé consumidor-governo-empresas é fundamental para ter a correta perspectiva sobre o mercado do país asiático. Cada vez mais, os consumidores possuem renda disponível e estão dispostos a fazer upgrades nos seus hábitos de consumo. Mais do que adotar, o consumidor chinês abraça, rapidamente, as novas tecnologias e tem pouca preocupação com temas relacionados à privacidade de dados.

O governo tem um papel essencial, definindo as políticas macro, as prioridades e os investimentos. Hoje, a China é o país mais avançado em inteligência artificial, pois o governo elencou o tema no plano de cinco anos, estabeleceu cronograma, alocou recursos, definiu as áreas prioritárias e passou a responsabilidade para as empresas desenvolverem a tecnologia.

As empresas chinesas têm um ambiente muito propício para inovação. De um lado, uma disponibilidade de mão de obra altamente qualificada. Do outro, um mercado com renda e ávido por consumir novidades.

Mais do que tecnologia, as empresas do país têm criado modelos de negócios inovadores, onde os dados e informações dos clientes são capturados, analisados, segmentados e utilizados para gerar valor. Segundo Ming Zeng, CSO do Alibaba, as empresas precisam automatizar as suas decisões operacionais e seguir quatro passos: 1. transformar em dados cada interação com o consumidor; 2. transformar em software cada atividade; 3. manter a fluidez dos dados; e 4. aplicar algoritmos.

O varejo brasileiro parece estar longe desta realidade. Será mesmo? O caminho passa pela evolução do modelo de negócios, por configurações menos rígidas e mais colaborativas, em que grandes empresas possam se beneficiar da capacidade de inovação das startups e essas possam se beneficiar da escala das grandes empresas. É preciso estar atento às mudanças e inovações do varejo chinês, entendendo as diferenças entre as duas realidades de mercado, avaliando o que faz sentido para o Brasil. Afinal, a China é a nova fronteira do varejo.

 

Foto do destaque: rede chinesa de supermercados Hema | crédito: reprodução

 

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